Saponificação de gorduras
A saponificação é a reação entre uma gordura ou óleo e uma base forte em água que produz sabão (sais de ácidos gordos) e glicerol.
As gorduras animais e vegetais são maioritariamente triglicéridos: três ácidos gordos ligados ao glicerol por ligações éster. Uma base forte, como o hidróxido de sódio ou o de potássio, quebra essas ligações (hidrólise alcalina). Os ácidos gordos ficam como sabões, solúveis em água e com propriedades tensioativas, e o glicerol é libertado. Por isso, os detergentes e desengordurantes alcalinos são eficazes contra a gordura de cozinha e de origem animal: transformam parte da sujidade em produtos que a água arrasta com o enxaguamento. A reação avança mais depressa com temperatura e alcalinidade elevadas. O índice de saponificação expressa os miligramas de KOH necessários para saponificar um grama de gordura.
Nem todas as gorduras saponificam. Os óleos minerais e os hidrocarbonetos não têm ligações éster, pelo que a alcalinidade não os transforma: eliminam-se por emulsão com tensioativos ou com solventes. Além disso, a alcalinidade forte ataca metais como o alumínio, pelo que é preciso verificar na ficha técnica sobre que materiais se pode usar cada produto.
Produtos alcalinos da Instaquim indicados para gordura, segundo a sua ficha técnica:
- Prein (pH 1 %: 11,8; 10–20 g/kg de roupa seca): detergente de pré-lavagem com álcalis e sequestrantes; a ficha atribui-lhe «grande poder humectante, saponificante e sequestrante» e indica-o para roupa com elevado grau de sujidade.
- Deplac (pH 1 %: 12,5; puro ou diluído até 10 %): limpeza de chapas de cozinha e fornos com gorduras queimadas; não apto para alumínio.
- Gras Foam (pH 1 %: 12,2; 2–6 % a 20–60 °C): desengordurante para pavimentos, paredes e superfícies muito engorduradas na indústria alimentar, aplicado com espuma, pulverização, imersão ou à mão; não apto para alumínio.